quinta-feira, 30 de abril de 2015

Caminhoneiros criticam decreto que limita circulação do veículo nas ruas de Natal

Os caminhoneiros definiram como “absurdo” o decreto aprovado pela Prefeitura do Natal, que proíbe o trânsito de caminhões nas principais avenidas e ruas de maior circulação.  O documento foi publicado na edição de segunda-feira (27) do Diário Oficial do Município (DOM).
(Foto: Wellington Rocha)
De acordo com o caminhoneiro José Luiz Rocha, o decreto é uma manobra política e somente os motoristas vão arcar com as consequências. “A gente é quem vai pagar o pato, pois vamos gastar mais gasolina com um caminho mais longo”, reclamou.
Também está proibido estacionar e parar veículos que tenham peso superior a cinco toneladas, entre 5h às 20 horas, de segunda-feira a sexta-feira, nas avenidas Senador Salgado Filho, Hermes da Fonseca, Prudente de Morais, Bernardo Vieira, Coronel Estevam e Rio Branco.
A intenção é criar mecanismos para melhorar o trânsito na capital potiguar. Os caminhoneiros entrevistados pelo Portal No Ar queixaram que a Avenida Senador Salgado Filho é o único trajeto para o Porto de Natal, onde muitos caminhões ficam concentrados para deixar os produtos que serão exportados.
“Deveria fazer um estudo para mudar as entradas para os caminhões, não apenas botar placas ou fazer uma lei. Se a gente fosse pela Via Costeira para o Porto, os hoteleiros iriam gostar disso? Eles seriam os primeiros a reclamar”, afirmou José Etevaldo, caminhoneiro há mais de 20 anos.
Os caminhões de urgência, transporte de produtos perecíveis, prestação de serviços públicos essenciais e outros serviços de âmbito local (ambulância, carro de bombeiros, polícia e fiscalização) poderão deslocar nas vias livremente. Porém, precisa de uma autorização da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU).
(Foto: Wellington Rocha)
Os carros que estão incluídos como serviços essenciais são limpeza de galerias, conservação de guias, remoção de árvores, controle de zoonoses, correios, limpeza de lixo, operação tapa-buraco e correios, além dos responsáveis pela manutenção de energia elétrica, iluminação, rede de águas e esgotos, telecomunicações, gás canalizado e sinalização viária.
Jony Morais está há 22 anos trabalhando na estrada e disse que a lei é desnecessária, pois os maiores acidentes de trânsito acontecem mais com automóveis e motociclistas. “Esta lei é ridícula, vai atrapalhar cada vez mais o nosso trabalho”, manifestou.
Até o dia 27 de maio, a STTU definirá o modelo da Autorização de Tráfego Especial, o qual o condutor do veículo deverá portar durante o tráfego nas vias.  Caso o condutor não possua no momento de abordagem da fiscalização a Autorização de Tráfego Especial, este será autuado de acordo com a penalidade correspondente prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
As empresas transportadoras terão 90 dias, a contar da data de publicação, para se adequar as normas aqui estabelecidas.
Por Lara Paiva