quinta-feira, 13 de julho de 2017

Doleiro Lúcio Funaro diz à PF que entregava ‘malas de dinheiro’ ao ex-ministro Geddel

O doleiro Lúcio Funaro afirmou no último dia 7 em depoimento à Polícia Federal, ao qual a TV Globo teve acesso, que fez várias entregas de “malas de dinheiro” nas mãos do ex-ministro Geddel Vieira Lima numa sala do aeroporto de Salvador.
G1 entrou em contato a defesa do ex-ministro e aguardava um posicionamento até a última atualização desta reportagem.
Preso desde julho do ano passado, Funaro é alvo de ação penal por fraudes no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS) junto com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O doleiro está negociando com o Ministério Público uma delação premiada. No último dia 5, ele foi transferido do presídio da Papuda para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília, onde permanecerá até esta sexta (14).
De acordo com relatório da Polícia Federal, “o declarante (Funaro) [diz que] fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima , que essas entregas era feitas na sala vip do hangar Aerostar, localizado no aeroporto de Salvador, Bahia, diretamente nas mãos de Geddel”.
O relatório afirma ainda que Funaro “pretende entregar alguns documentos sobre essas viagens como elemento de corroboração em anexos de sua colaboração; que realmente, em duas viagens, que fez, uma para Trancoso (BA) e outra para Barra de São Miguel (BA), o declarante fez paradas rápidas em Salvador (BA) para entregar malas ou sacolas de dinheiro para Geddel Vieira Lima”.
Doleiro Lúcio Funaro está de volta à carceragem da PF em Brasília
Contatos com a esposa
No mesmo depoimento, Funaro disse que enquanto esteve preso foi informado pela esposa Raquel de contatos feitos por Geddel Vieira Lima. Funaro afirmou que não havia contatos antes da prisão e sentiu “medo”.
“Essas ligações insistentes por parte de Geddel provocaram no declarante um sentimento de receio sobre algum tipo de retaliação caso viesse a fazer algum acordo de colaboração premiada , tendo em vista que Geddel era membro do 1º escalão do governo e amigo íntimo do presidente Michel Temer”, diz o relatório.
Funaro acrescentou que sempre orientou a esposa a atender aos chamados de Geddel e informou que estava tranquilo, a fim de transmitir a impressão de que não fecharia delação.
“Essas comunicações reiteradas de Geddel geravam no declarante o sentimento de que estava sendo monitorado e em dado momento passou a ter receio sobre a segurança de sua esposa e filha, já que faziam deslocamentos em estrada pouco movimentada para o presidio da Papuda.”
Segundo a narrativa do depoimento, “embora Geddel costumasse falar com a esposa do declarante (Funaro) que estaria ajudando a seus pleitos junto ao Judiciário, o declarante acha que essas conversas não estavam ocorrendo de forma incisiva quanto se faziam necessárias , mas que tem certeza que havia um acompanhamento constante das questões processuais que envolviam a prisão do declarante e até mesmo pelo teor das conversas entre Geddel e sua esposa que chegavam a seu conhecimento”.
No fim do depoimento, Funaro diz que a esposa Raquel chegou a comentar sobre ansiedade e inquietude que Geddel sentiu em Funaro após a irmã, Roberta Funaro, ter sido presa.
“Após a prisão de Roberta Funaro (irmã de Funaro), sua esposa Raquel chegou a comentar com o declarante que Geddel ficou um pouco preocupado e ansioso com a inquietude do declarante em decorrência da prisão de sua irmã”, diz o texto do relatório.