quinta-feira, 13 de julho de 2017

Relatório na CCJ é derrubado pela base de apoio de Temer

A Comissão de Constituição e Justiça rejeitou 40 por 25 votos o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) recomendando a aceitação da denúncia contra o presidente Michel Temer. Houve uma abstenção. Esta foi a primeira vitória do governo, que promoveu a troca de 11 titulares da comissão. No total, 66 deputados votaram.
A manobra foi condenada pelo próprio presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), e pelo relator, ambos correligionários de Temer. Antes da votação, os líderes partidários orientaram os votos dos deputados. Zveiter disse que Temer buscava um resultado “artificial” e o acusou de “obstrução da Justiça”, por oferecer verbas e cargos em troca do arquivamento da investigação.
Com a rejeição do relatório de Zveiter, o presidente da CCJ terá de escalar um novo relator para defender um parecer alternativo, dessa vez, contra a aceitação da denúncia. A escolha tem que ser feita entre os que rejeitaram o parecer de Zveiter. Esse novo parecer também vai a voto. Tudo isso acontecerá ainda na tarde desta quinta-feira. O novo relator deve utilizar um dos votos em separado que já foram protocolados pela base do governo na comissão. Se quiser, no entanto, pode fazer um parecer novo, desde que vá no sentido oposto ao de Zveiter, que foi rejeitado.
Em uma fala bastante forte que antecedeu o início da votação, Zveiter chegou a dizer que o voto em separado contra a denúncia que já foi protocolado na comissão por membros de seu partido foi elaborado dentro do Palácio do Planalto. Depois, ele voltou atrás, pediu para retirar essa parte de seu discurso da ata, e disse que se tratava de força de expressão.
A denúncia ainda terá de ser votada pelo plenário, onde serão necessários pelo menos 342 votos (2/3 do total de 513) a favor da aceitação da peça acusatório para que ela seja submetida ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
AGÊNCIA O GLOBO