quinta-feira, 29 de março de 2018

Inep divulga resultados do Encceja Nacional para o ensino fundamental

Sabrina Craide
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou hoje (29) os resultados individuais dos estudantes que fizeram o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja Nacional) em 2017 para o ensino fundamental.
Somente o próprio participante pode acessar o boletim de desempenho, informando o CPF e a senha cadastrada durante a inscrição. Também foram disponibilizados hoje os resultados dos participantes do Encceja para pessoas privadas de liberdade. Segundo o Inep, as notas do Encceja Exterior (feito por brasileiros que moram no estrangeiro) serão divulgadas até o dia 6 de abril.
No ano passado, 301,5 mil pessoas se inscreveram para obter o certificado do ensino fundamental por meio do Encceja. Quem obteve a nota mínima exigida em todas as quatro áreas de conhecimento e na redação terá o certificado. Quem obteve a nota mínima apenas em uma área de conhecimento terá a declaração parcial de proficiência.
O Encceja é direcionado aos alunos que não concluíram os estudos na idade adequada e desejam obter a certificação no ensino fundamental ou no ensino médio.

Chocolates caseiros e barras substituem ovos e barateiam páscoa

A grande quantidade de ovos de chocolate ainda estocados em algumas redes de varejo tem resultando em promoções de última hora que podem beneficiar os consumidores nesta Páscoa. Em parte, isso se explica pela tendência cada vez maior de presentear as pessoas com barras de chocolate ou mesmo com ovos de páscoa feitos em casa.

“Leva menos de uma hora para derreter as barras e colocar o chocolate nas formas ovais ”, explicou à Agência Brasil a psicóloga Olívia Mendonça, de 53 anos. Olívia estava em uma loja localizada na região central de Brasília, onde buscava barras de pelo menos 1 quilo para preparar os ovos de páscoa dos filhos. “Além de ser muito mais barato, é uma forma de presentear com um ovo mais especial por ser personalizado”, afirmou.
Carregando várias barras de chocolate de 100g, de diferentes marcas e tipos, o promotor de Justiça Jaime Miranda, de 57 anos, disse que estava preparando entre 12 e 15 “combos" do produto para presentear parentes e amigos. “É a terceira Páscoa seguida em que estamos fazendo isso. Vamos colocar em sacos plásticos barras de vários sabores e marcas. A ideia é de variedade. Uma filosofia similar à da caixa de bombom, só que com barras de chocolate.”
Segundo o promotor, além de agradar pela diversidade, o combo representa uma economia entre 50% e 75% do que seria gasto caso comprasse o mesmo peso de chocolates, mas na forma de ovos. Para ter uma ideia, uma barra de 100g de chocolate ao leite custava R$3,89 na loja em que Miranda estava. O mesmo chocolate, no formato de ovo de 185g, estava a R$ 37. A barra de 1kg, que, derretida, poderia se transformar em ovos de chocolate, custava R$ 23,99.
Em Brasília, as lojas constataram a tendência e se prepararam para o novo tipo de demanda. “O consumo de ovos de páscoa tem diminuído nos últimos anos, na comparação com a venda de barras. Cada vez mais pessoas têm optado por fazer os próprios ovos, em vez de comprá-los, dando menos importância para a forma, mas sem deixar de lado o sabor ou a qualidade do chocolate”, disse a fiscal de caixa Gessiana Moreira, de 24 anos. Segundo a fiscal, o preço dos ovos tem subido a cada ano, o que acabou por reforçar ainda mais essa tendência.
Outro exemplo da discrepância de preços entre o mesmo tipo de chocolate são os bombons. Ovos de páscoa de marcas tradicionais de bombom custam, em uma mesma loja, R$ 33,69 (190g), R$ 35,59 (270g), R$ 47,19 (330g). Já o saco de 1kg com os mesmos bombons custa entre R$ 22,99 e R$ 27,99.


Promoções de última hora
Brasília - Às vésperas da Páscoa, lojas em Brasília vendem ovos de páscoa (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Em alguns casos, a frustração nas vendas de algumas das grandes redes de varejo – e a quantidade de ovos ainda em estoque a poucos dias da Páscoa – pode acabar beneficiando consumidores que optarem por comprar na véspera da festa. “Tenho pesquisado e vejo que, nas últimas 48 horas, as grandes redes de varejo têm baixado os preços para menos da metade”, disse o consumidor José Pedro Morgado, jornalista e supervisor de call center.
Na loja em que ele se encontrava, ovos de marcas populares já anunciavam diversas promoções. Os de bombom, que custavam R$ 44,99 (de 185g), baixaram para R$ 19,99. “Isso não é uma promoção e mostra que eles poderiam vender a um preço bem mais baixo desde o começo”, afirmou o jornalista.
“Ao que parece, as grandes lojas tentaram se aproveitar da imagem consolidada das marcas de chocolate para cobrar preços altos. Agora que a Páscoa está perto, elas estão fazendo de tudo para 'desovar' os ovos”, acrescentou. Morgado disse que adota dois critérios para fazer as compras típicas desse período do ano. “Prefiro dar qualidade para uns e quantidade para outros. Tudo depende da situação”, disse o jornalista, segurando uma sacola com chocolates de outra loja, famosa pela qualidade de seus produtos.
“Quando a qualidade salga demais o preço do chocolate, não vale a pena, mas notei, este ano, que a diferença de preços entre as grandes redes e as lojas especializadas em chocolate diminuiu bastante. Talvez seja uma estratégia das especializadas para pegar parte dos clientes insatisfeitos com o alto preço cobrado pelas grandes lojas de varejo”, acrescentou.
O preço, no entanto, parece não ter importância para uma pequena parcela de consumidores disposta a pagar até R$ 1.100 por apenas um ovo de páscoa. Cobrando este preço por um ovo de 5 quilos, uma outra loja especializada – e famosa não só pela qualidade, mas pelo alto preço de seus chocolates – só conseguiu vender uma unidade. Nessa loja, localizada na região central de Brasília, um ovo de Nhá Benta de 170g custa R$ 59,90 e o de 300g. R$ 99,90. Há também ovos que misturam quatro tipos de sobremesas e clássicos da loja. Para se deliciar com 610g desse tipo de guloseima, é necessário desembolsar R$179,90.
Ali perto, em outra loja especializada em chocolates, o ovo de páscoa mais caro, de 2,8k quilos custa R$ 299,90. “Já vendemos 12 desses, mas os que têm mais saída são o clássico, de 360g, que custa R$ 44,90; e o trufado de 180 g, que custa R$ 24,90”.
Para atrair o público infantil, a loja tem alguns ovos que vêm acompanhados de brinquedos, fones de ouvido e até mesmo bolsas em formato de concha. Em geral esses ovos têm entre 160g e 200g e custam de R$ 51,90 a R$ 61,90. “Nesses casos, notamos que o maior interesse é pelo brinquedo. Não pelo chocolate”, explicou disse à Agência Brasil a vendedora Iasmim Dias, de 24 anos.
Em geral, as lojas especializadas em chocolate trabalham com preço tabelado, o que inviabiliza descontos. A maioria dos clientes busca chocolates de qualidade. Iasmim também nota uma tendência de movimento maior nos últimos dias, antes do domingo de Páscoa. “Na semana passada muita gente entrou na nossa loja apenas para ver os preços. Foram poucas vendas, mas, desde a última terça-feira (27), nossos chocolates começaram a ter maior saída. Notamos que, agora, as pessoas têm entrado na loja decididas e vão direto ao produto que estão interessadas em comprar”, disse a vendedora.
O maior desafio para a servidora pública Flávia Gomes, de 38 anos, é encontrar ovos de chocolate sem lactose para o marido. “Como não há mais ovos sem lactose, terei de comprar em tabletes para presenteá-lo”. Segundo Flávia, raramente se encontram ovos sem lactose, o que foi confirmado pela vendedora Renata Lima, de 23 anos. “É sempre assim: os ovos [de páscoa] sem lactose chegam e acabam imediatamente.”

Ancine anuncia cotas de gênero e raça em edital para produção de filmes

Léo Rodrigues 
A Agência Nacional de Cinema (Ancine) anunciou hoje (29) que o edital do Concurso Produção para Cinema 2018 passará a incluir cotas para diretores negros e indígenas e também para cineastas mulheres. De acordo com o órgão, a decisão foi tomada pelo comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, após ouvir as demandas de entidades e associações do setor e levando em consideração um amplo diagnóstico feito sobre gênero e raça na produção cinematográfica brasileira.
O Concurso Produção para Cinema 2018 prevê a destinação de R$100 milhões a projetos de longas-metragens independentes de ficção, documentário ou animação. De acordo com a Ancine, pelo menos 35% desse total deverá ser destinado a propostas que tenham diretoras mulheres, incluindo mulheres transexuais e travestis. Além disso, no mínimo 10% do montante será reservado a projetos com diretores negros e indígenas.
O edital foi lançado no dia 19 de março sem essa novidade, mas na última segunda-feira (26) as mudanças foram aprovadas. A versão retificada da chamada pública deve ser publicada na internet ainda hoje (29).
Os R$100 milhões são provenientes do Fundo Setorial de Audiovisual, gerido por representantes da Ancine, do Ministério da Cultura, de agentes financeiros credenciados e da indústria audiovisual. A principal fonte de receita do fundo é a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), que é cobrada sobre veiculação, produção, licenciamento e distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais.
Outra mudança aprovada pelo comitê gestor do fundo foi a alteração nos pesos dos quesitos de avaliação dos projetos na modalidade B, que contempla longas-metragens de ficção, documentário e animação com ênfase em projetos de perfil autoral e propósitos artísticos evidentes. A pontuação do projeto será mais relevante para a classificação, do que outros critérios. A expectativa é de que as mudanças permitam que produtoras pequenas e iniciantes tenham mais oportunidades de serem contempladas.
Pesquisas
Segundo a Ancine, uma pesquisa da Comissão de Gênero e Diversidade do órgão detectou que 75,4% dos filmes lançados em 2016 foram dirigidos por homens brancos. Daí a necessidade de se criar medidas voltadas para ampliar a representatividade de mulheres, negros e indígenas no setor. "A ideia é que o instrumento ajude a diversificar a produção audiovisual nacional, criando produtos que reflitam a imagem e a realidade da maioria da população brasileira", informou o órgão.
A defesa de medidas específicas para o financiamento de filmes dirigidos por mulheres, negros e indígenas é uma bandeira que vem sendo levantada nos últimos anos por atuantes no setor. Há dois anos, um levantamento divulgado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), mostrou que nenhum dos 20 filmes nacionais com as maiores bilheterias entre 2002 e 2014 foi dirigido por uma mulher negra. Além disso, apenas 2% foram dirigidos por homens negros.
Durante a Mostra de Cinema de Tiradentes ocorrida em janeiro deste ano, evento que abre o calendário cinematográfico do país, o curador Cléber Eduardo defendeu editais específicos para diretores negros. Um ano antes, a mostra já havia chamado a atenção para a presença da mulher na produção de filmes brasileiros.
A questão de gênero no audiovisual também foi tema de uma outra pesquisa divulgada hoje (29) pela Ancine. Trata-se de um estudo inédito sobre os filmes exibidos nos canais de televisão por assinatura ao longo de 2017. O levantamento foi conduzido pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA).
De acordo com o órgão, o cenário de desigualdade é similar ao observado nas salas de cinema. Embora as mulheres representem 53% do total de graduados em cursos de audiovisual e respondam por 52% dos empregos formais em empresas produtoras, assinaram apenas 15% das obras brasileiras veiculadas nos canais de televisão por assinatura no ano passado. Setenta e nove por cento dos filmes exibidos foram dirigidos por homens e 6% tiveram direção mista. Em 28 canais, não houve sequer uma produção com direção exclusivamente feminina.

Novos editais da Prefeitura de Santa Cruz convocam profissionais para atuarem na Educação e Assistência Social

A Prefeitura de Santa Cruz lança dois novos editais de convocação, um do processo seletivo da Educação, outro da Assistência Social.
O Edital de Convocação 002/2018 da Educação é referente ao Processo Seletivo Simplificado realizado para o provimento temporário de professores do quadro de pessoal da secretaria, na formação de cadastro de reserva. Já o Edital de Convocação 002/2018 corresponde ao certame que  selecionou profissionais para atuação no âmbito da secretaria municipal de Assistência Social.
Do processo seletivo da Educação, estão sendo convocados: Frankleibe Cosme Bezerra Cunha (língua portuguesa), José Whelistainy Lima Galvão (Ciências) e Ana Tatiane De Macêdo Júnior (Educação Física). Da Assistência Social, a candidata convocada para ocupar o cargo de orientador social é Gracivanda Miranda Gomes.
Todos os candidatos que estão sendo convocados, de ambos os editais, terão dois dias úteis (02 e 03 de abril) para comparecerem ao setor de recursos humanos, na sede da Prefeitura de Santa Cruz, das 08h às 11h30 e das 14h às 16h30.
Informações sobre documentação exigida e outros detalhes das convocações estão disponíveis nos seguintes editais:

Receita recebeu 6,5 milhões de declaração do IR em quase um mês

Wellton Máximo
Em quase um mês de entrega, pouco mais de 20% dos contribuintes acertaram as contas com o Fisco. Até as 17h de hoje (29), a Receita Federal recebeu 6.437.145 declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). O total equivale a 22,4% dos 28,8 milhões de documentos esperados para este ano.
O programa de preenchimento da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2018, ano-base 2017, está disponível no site da Receita Federal. O prazo para a entrega da declaração começou em 1º de março e vai até as 23h59min59s de 30 de abril.
Está obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis, em 2017, em valores superiores a R$ 28.559,70. No caso da atividade rural, deve declarar quem teve receita bruta acima R$ 142.798,50.
A declaração pode ser preenchida por meio do programa baixado no computador ou do aplicativo Meu Imposto de Renda para tablets e celulares. Por meio do aplicativo, é possível ainda fazer retificações depois do envio da declaração.
Outra opção é mediante acesso ao serviço Meu Imposto de Renda, disponível no Centro Virtual de Atendimento (e-CAC), no site da Receita, com uso de certificado digital.
Também estão obrigadas a declarar as pessoas físicas: residentes no Brasil que receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40 mil; que obtiveram, em qualquer mês, ganho de capital na alienação de bens e direitos, sujeito à incidência do imposto ou que fizeram operações em bolsas de valores; que pretendem compensar prejuízos com a atividade rural; que tiveram, em 31 de dezembro de 2017, a posse ou a propriedade de bens e direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 300 mil; que passaram à condição de residentes no Brasil em qualquer mês e assim se encontravam em 31 de dezembro; ou que optaram pela isenção do IR incidente sobre o ganho de capital com a venda de imóveis residenciais para a compra de outro imóvel no país, no prazo de 180 dias contados do contrato de venda.
Multa por atraso
A multa para quem apresentar a declaração depois do prazo é de 1% por mês de atraso, com valor mínimo de R$ 165,74 e máximo de 20% sobre o imposto devido.
Deduções
As deduções por dependente estão limitadas a R$ 2.275,08. As despesas com educação têm limite individual anual de R$ 3.561,50. A dedução de gastos com empregados domésticos é de R$ 1.171,84.
Novidades deste ano
O painel inicial do sistema tem informações das fichas que podem ser mais relevantes para o contribuinte durante o preenchimento da declaração.
Neste ano, será obrigatória a apresentação do CPF para dependentes a partir de 8 anos, completados até o dia 31 de dezembro de 2017.
Na declaração de bens, serão incluídos campos para informações complementares, como números e registros, localização e número do Registro Nacional de Veículo (Renavam).
Também será incluída a informação sobre a alíquota efetiva usada no cálculo da apuração do imposto.
Outra mudança é a possibilidade de impressão do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) para pagamento de todas as cotas do imposto, inclusive as que estão em atraso.

Rússia expulsa 60 diplomatas dos EUA e fecha consulado em São Petersburgo

Da Agência EFE
Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov A Rússia anunciou nesta quinta-feira (29) a expulsão de 60 diplomatas americanos como represália a uma decisão similar adotada na segunda-feira pelos EUA por conta do caso do envenenamento do 3x-espião duplo Sergei Skripal e de sua filha, no Reino Unido. Além disso, Moscou decidiu pelo fechamento do consulado geral americano na segunda maior cidade russa, São Petersburgo. A informação é da EFE.
Os diplomatas americanos, que foram declarados persona non grata, terão até 5 de abril para deixar a Rússia, segundo o Ministério das Relações Exteriores do país. Dos diplomatas americanos que serão expulsos, todos trabalham na capital russa, com a exceção de dois que atuam no consulado geral dos Estados Unidos em Yekaterimburgo, nos montes Urais.
O ministério russo convocou o embaixador dos EUA, John Huntsman, para comunicar as medidas e também entregou uma nota de protesto pelo que definiu como "degradantes e infundadas exigências" para que 60 diplomatas russos deixassem país pelo caso Skripal.
Além de fechar o consulado geral russo em Seattle, os Estados Unidos também anunciaram na segunda-feira (26), em solidariedade ao Reino Unido, a expulsão de 48 representantes diplomáticos da embaixada russa em Washington e de 12 representantes da missão russa na sede das Nações Unidas em Nova York.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou adotaria "medidas simétricas" contra Washington e "algo mais", sem especificar. Ele também declarou que a Rússia não iria se limitar a "reagir" ao que classificou como "grandes pressões" por parte dos EUA e do Reino Unido para que sejam adotadas "medidas absolutamente inadmissíveis" contra seu país "com a desculpa do caso Skripal".

Diplomatas russos e suas famílias, expulsos pelo governo britânico, deixam o Reino Unido em avião enviado por MoscouQuase 30 países, em sua maioria membros da União Europeia (UE), anunciaram na segunda-feira a expulsão de mais de 100 diplomatas russos, uma decisão que a Rússia condenou veementemente.
"Em relação aos outros países, [as respostas] também serão simétricas no que se refere ao número de pessoas que terão que deixar a Rússia", acrescentou Lavrov.
A Rússia argumenta que o Reino Unido ainda não apresentou provas sobre a culpabilidade do país no envenenamento de Skripal e sua filha, Yulia, no dia 4 de março na cidade de Salisbury. Yulia, que foi envenenada junto com seu pai, está "melhorando com rapidez e sua condição já não é crítica", mas "estável", confirmou nesta quinta-feira (29) uma porta-voz do serviço público de saúde do Reino Unido.

Acnur e parceiros pedem US$ 64 milhões para integrar refugiados em Angola

Da ONU News
Refugiados da região de Kassai, na República Democrática do Congo, chegam a Lóvua, no norte de Angola A Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) está solicitando US$ 64 milhões para apoiar esforços do governo angolano na sua província de Lunda Norte, que acolhe mais de 35 mil refugiados congoleses. As necessidades incluem proteção, saúde, higiene, educação e abrigo. A ajuda é necessária para responder à emergência dos refugiados vindos da região do Kassai na República Democrática do Congo, RD Congo.
As 53 vilas montadas para abrigar os congoleses podem ser expandidas com o montante solicitado, que também prevê a preparação para um eventual novo influxo de pessoas do território congolês. A movimentação de cidadãos do Kassai para Angola começou há um ano.
A ONU News conversou esta quinta-feira (29) com a encarregada de Relações Externas da Acnur em Angola, Margarida Loureiro, que declarou que o valor pode melhorar a integração entre os nacionais e os refugiados.
“Os doadores tiveram uma generosidade imensa. Eles doaram praticamente US$ 30 milhões quando  a situação era de emergência e houve um influxo de 30 milhões de pessoas para uma província que não estava preparada. A população e o governo angolanos agiram sem meios e deram tudo o que tinham de forma excepcional. Agora, mais do que nunca, esses fundos vão permitir que se passe de uma situação de emergência para de desenvolvimento.”
Lóvua
A Acnur lançou o apelo por fundos junto com 22 agências das Nações Unidas e não-governamentais parceiras. Margarida Loureiro explica por que novos empreendimentos em áreas como o assentamento do Lóvua, no norte de Angola, seriam benéficos tanto para os angolanos como para os recém-chegados.
“Existe um influxo de refugiados e a população local também é afetada com esta emergência. A Acnur e parceiros apoiam o desenvolvimento dessa comunidade local, seja com infraestruturas, acesso à água e à educação. Já iniciaram as aulas e construímos quatro escolas. São estruturas provisórias, mas seguras, para que as crianças não estejam debaixo de árvores. A população local também usufrui destas condições,” disse Margarida Loureiro.
No lançamento do apelo, em Luanda, o Escritório do Coordenador Residente da ONU em Angola declarou ao corpo diplomático que a generosidade é essencial para garantir várias necessidades dos refugiados, como proteção, saúde, higiene, educação e abrigo.
Angola já acolhe mais de 35 mil congoleses que procuraram abrigo no país. O novo pedido para ações em prol de refugiados faz parte de um apelo regional de US$ 504 milhões para dar resposta à crise congolesa.
Dos cerca de 25 mil cidadãos da RD Congo que recebem assistência alimentar em Angola, 77% são mulheres e crianças.

Marun: prisões da PF não enfraquecem governo e Temer "nada tem a ver com isso"

Yara Aquino
O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse hoje (29) que as prisões feitas na Operação Skala, da Polícia Federal, não enfraquecem o governo e defendeu o Decreto dos Portos.
Questionado se as prisões na manhã de hoje de pessoas ligadas ao presidente Michel Temer enfraquecem o governo, Marun negou e reafirmou a certeza de que o presidente não tem relação com concessão de nenhum benefício à Rodrimar, empresa investigada por suposto favorecimento pelo decreto.
"A prisão de dois amigos do presidente é uma situação em relação a qual nós ainda não temos um conhecimento específico dos motivos que levaram a ela”, disse. E completou: “Quero antes de mais nada ter conhecimento dos motivos [das prisões] e tenho a certeza de que se isso não for tratado com parcialidade, com sensacionalismo, não enfraquece o governo porque o presidente Temer nada tem a ver com isso. O decreto não beneficia a Rodrimar”, disse o ministro.
Entre os presos temporários estão o advogado José Yunes, ex-assessor do presidente Michel Temer; o ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da estatal Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Wagner Rossi; o presidente do Grupo Rodrimar, Antônio Celso Grecco. A polícia apura as suspeitas de que agentes públicos favoreceram empresas do setor portuário com a publicação de um decreto assinado pelo presidente Temer em maio do ano passado, o chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017).
Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal restringiu a divulgação de informações a respeito da operação.
Marun disse ainda que a “absoluta inocência” do presidente Michel Temer será esclarecida. “Temos a mais absoluta convicção de que, em havendo clareza, em havendo imparcialidade na condução das investigações, chegaremos a óbvia conclusão: o Decreto dos Portos não beneficia a Rodrimar e que ao final restará esclarecida a absoluta inocência do presidente em relação a tudo isso”, disse em entrevista a jornalistas após participar de evento em Florianópolis (SC).
De acordo com o Ministério Público Federal, vários mandados de prisão temporária e de busca e apreensão estão sendo cumpridos pela PF, a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. As medidas foram determinadas pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator do chamado Inquérito dos Portos, no STF. O inquérito foi aberto pela Corte para investigar o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017), assinado pelo presidente Michel Temer em maio do ano passado.

BC trabalha para que juros do crédito caiam mais rapidamente, diz Ilan Goldfajn

Kelly Oliveira
O Banco Central continuará trabalhando para que haja queda de juros do crédito mais rápida, afirmou o presidente da autarquia, Ilan Goldfajn, ao apresentar hoje (29) o Relatório de Inflação, em Brasília. Ele destacou que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) deve anunciar em abril medidas relacionadas ao cheque especial, mas não deu detalhes sobre as mudanças.
Goldfajn lembrou que nesta semana o BC anunciou medidas para baratear o custo de uso das máquinas de cartão de crédito pelos lojistas, com objetivo de reduzir os preços cobrados dos consumidores.
Ontem, o BC também anunciou a redução dos depósitos compulsórios, o que libera mais recursos para os bancos emprestarem aos clientes. Para o BC, a redução dos compulsórios pode resultar na diminuição do spread bancário – diferença entre os juros que o banco paga ao investidor que empresta a ele e as taxas cobradas de quem contrai operações de crédito.
Para o presidente do BC, os efeitos do ciclo atual de cortes na taxa básica, a Selic, nos juros dos empréstimos “estão mais ou menos compatíveis com outros episódios [de redução da Selic] do passado”. “Esta semana, tivemos várias medidas ligadas à concorrência, ligadas a custos. Vamos continuar fazendo isso”, afirmou.

Neste mês, a Selic foi cortada pela 12ª vez seguida, chegando a 6,5% ao ano, o menor nível da história. Já taxa média de juros para as famílias alcançou 57,7% ao ano, em fevereiro, com redução de 15,8 pontos percentuais em 12 meses. A taxa do cheque especial ficou em 324,1% ao ano, com redução de 2,9 pontos percentuais em 12 meses.
Inflação de volta à meta
Goldfajn enfatizou que é preciso balancear a necessidade de garantir uma velocidade adequada da volta da inflação para a meta e, ao mesmo tempo, assegurar que essa “conquista” e dos juros mais baixos se mantenha por tempo prolongado. Para o presidente do BC, o objetivo que é seja uma mudança “mais estrutural e não só conjuntural”.
“A economia brasileira precisa continuar com os ajustes e reformas. As projeções do Copom [Comitê de Política Monetária do Banco Central] embutem as reformas. Não é uma questão de curto prazo, mas uma questão de continuarem a ser implementadas”, disse, destacando a reforma da Previdência e o projeto de autonomia do Banco Central, que será enviado ao Congresso Nacional pelo governo. Para Goldfajn, a votação do projeto de autonomia do BC pode ocorrer ainda este ano. “ E sse projeto está andando bem e o governo está avaliando a melhor forma legislativa de encaminhar esse projeto, está indo de acordo com o esperado”, destacou.
Ilan Goldfajn acrescentou que os riscos para a inflação e a economia brasileira estão na interrupção desses ajustes e reformas e de mudanças no cenário internacional, atualmente benigno para a economia brasileira.
No relatório divulgado hoje, o BC revisou a projeção para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 4,2% para 3,8%, neste ano. A estimativa ficou mais distante do centro da meta de inflação, que é 4,5% neste ano. Para 2019, a projeção para o IPCA caiu de 4,2% para 4,1%. A estimativa para 2020 passou de 4,1% para 4%. A meta para 2019 é 4,25% e, para 2020, 4%. O intervalo de tolerância é 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Goldfajn reforçou que a Selic pode voltar a ser reduzida na próxima reunião do Copom, em maio, e deve haver uma interrupção do ciclo de cortes em junho. O presidente do BC destacou que, em junho, os efeitos de alterações da Selic na inflação serão sentidos “majoritariamente” em 2019, devido à defasagem. “Quando a gente olhar no meio do ano e tiver olhando majoritariamente para 2019, vamos analisar o que já ocorreu, as projeções, os riscos e só depois tomar uma decisão. Isso significa que podemos pausar por algum tempo [o ciclo de cortes da Selic]”, afirmou.

Polícia Rodoviária Federal inicia Operação Semana Santa em todo o país

Da Agência Brasil
A Polícia Rodoviária Federal estima que 180 mil veículos devem deixar o DF no feriado prolongado. Segundo a PRF, o movimento é maior na BR-040, em direção a Minas Gerais e Rio de Janeiro (Valter Campanato/Agência Brasil)A Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciou na madrugada de hoje (29) a Operação Semana Santa, que vai reforçar o policiamento ostensivo e preventivo em todo o Brasil até domingo (1º). A ação conta com todo o efetivo da corporação e vai dar prioridade aos locais e horários de maior incidência de acidentes graves e de criminalidade. Serão utilizados 250 radares, 1.824 etilômetros (bafômetros), 484 motocicletas e 1.398 viaturas.
Para garantir proteção aos passageiros, a equipe de agentes vai moderar o tráfego de veículos de carga nas rodovias, em horários de circulação mais intensa, e aumentar o monitoramento, observando se motoristas estão alcoolizados ou se utilizam o cinto de segurança.
Para que os condutores se percebam como responsáveis em caso de acidentes e estejam conscientes de ações capazes de reduzi-los, a polícia rodoviária também vai implementar  ações de educação no trânsito. O foco será nos comportamentos de risco, como excesso de velocidade, dirigir alcoolizado, ultrapassagens indevidas, falta do uso de cinto de segurança e do uso das cadeirinhas adequadas para o transporte de crianças.
Na Semana Santa do ano passado, a PRF registrou 1.091 acidentes, 82 mortos e 1.107 feridos em rodovias federais. A operação também contabilizou 47,7 mil infrações de trânsito, 60 mil flagrantes de excesso de velocidade. Na ocasião, 5,8 mil motoristas foram autuados por ultrapassar em locais proibidos e orientações foram repassadas para 42,2 pessoas.
Orientação aos motoristas
Entre as atitudes que levam a um trânsito mais seguro, a PRF destaca o planejamento da viagem, quando o motorista toma a iniciativa de se antecipar quanto à distância que irá percorrer e buscar se informar sobre pontos em que poderá parar para descansar, postos de gasolina e restaurantes na região e pesquisar a previsão do tempo para os dias de viagem.
O ideal é que as pausas ocorram a cada três horas. É prudente que se cumpra esse intervalo porque quem dirige por muitas horas fica sujeito ao fenômeno da "hipnose rodoviária", na qual, embora a pessoa se mantenha os olhos abertos, a percepção da realidade e a resposta corporal a eventos à sua volta ficam comprometidas.
É importante também que o motorista verifique se está portando toda a sua documentação pessoal e também do veículo e assegurar que todo o mecanismo do veículo está em bom estado. Os faróis, por exemplo, devem reluzir de forma que o veículo ilumine a pista e possa também ser visto por outros veículos. O conjunto de pneus deve estar calibrado e o motor, revisado, com óleo e nível de água do radiador em dia.
Outra instrução da PRF é não esquecer de checar se equipamentos de porte obrigatório - sobretudo pneu estepe, macaco, triângulo e chave de roda -  estão dentro do veículo, além de examinar as condições dos limpadores de para-brisa, úteis na visibilidade da pista.

Taxa de Juros de Longo Prazo cai de 6,75% para 6,60% ao ano

Kelly Oliveira 
Real-Moeda NacionalA Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o segundo trimestre de 2018 será de 6,60% ao ano, informou hoje (29), em Brasília, o Banco Central (BC). A taxa atual é 6,75% ao ano.
A partir de agora, o cálculo da TJLP passa a ser automático e divulgado trimestralmente. Essa decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi publicada na edição do último dia 19 no Diário Oficial da União.
A TJLP, por determinação legal, não pode mais ser utilizada em novos contratos de financiamento, valendo apenas para as operações já contratadas. Para substituir a taxa, foi criada no ano passado a Taxa de Juros de Longo Prazo (TLP).
A ideia é que a nova taxa fique mais próxima dos juros praticados pelo mercado financeiro, resultando em pagamento de menos subsídios por parte do governo federal. A nova taxa entrou em vigor em janeiro.
A resolução do CMN tem o objetivo de automatizar o cálculo da taxa TJLP, com base na meta de inflação e um prêmio de risco. Anteriormente, a TJLP era definida trimestralmente pelo CMN.
A meta de inflação será calculada tendo como referência 12 meses seguintes ao primeiro mês de vigência da taxa. Já o prêmio de risco será calculado a partir da média de seis meses da taxa de rendimento das Notas do Tesouro Nacional, Série B (NTN-B) para o prazo de três anos.
Fator de ajuste do prêmio de risco com efeito redutor
De acordo com o Banco Central (BC), com o objetivo de reduzir a volatilidade da TJLP, haverá um fator de ajuste do prêmio de risco com efeito redutor, de acordo com o rendimento das NTN-B.
O redutor será igual a 2 pontos percentuais, sempre que a taxa NTN-B for maior ou igual a 4% ao ano. Abaixo disso, será igual à metade da taxa da NTN-B. Com a mesma finalidade de redução de volatilidade, a TJLP será limitada à meta da taxa Selic, quando os juros básicos forem superiores a 8,5% ao ano, “preservando o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e dos projetos de investimento financiados pela TJLP”.
A TJLP era usada como remuneração dos recursos do Fundo de Participação do PIS-Pasep (Programa de Integração Social/ Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo da Marinha Mercante (FMM), além dos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Diferentemente da TJLP, a TLP será calculada mensalmente com base na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais os rendimentos da NTN-B, título do Tesouro corrigido pela inflação.
A transição de uma taxa para outra será gradual e se dará ao longo dos próximos cinco anos. Em 2018, a TLP vai equivaler a 100% da TJLP. Em 2019, a proporção vai cair para 80% da TJLP, sendo reduzida em 20 pontos percentuais ao ano, até a TLP ser exclusivamente corrigida pela inflação e pela NTN-B, em 2023.

Rogério Marinho destaca crescimento do PSDB no RN com novas filiações

O PSDB do Rio Grande do Norte realiza nesta segunda-feira (02) uma reunião extraordinária para receber novos filiados que participarão das eleições deste ano. Com isso, o partido se consolida como uma das principais forças políticas do Estado. O evento será no Hotel Arituba, às 16h, na Av. Hermes da Fonseca, bairro do Tirol.
Para o deputado federal Rogério Marinho (PSDB), a legenda será uma das protagonistas da disputa eleitoral deste ano no RN. “O PSDB tem trabalhado para apresentarmos alternativas para o Rio Grande do Norte. O partido foi o que mais cresceu no Estado nos últimos anos e com as novas filiações se tornará definitivamente um dos protagonistas do processo eleitoral que ocorrerá este ano. Vamos continuar trabalhando a favor do RN”, disse.
Entre as filiações que serão abonadas tanto por Rogério Marinho como pelo presidente estadual do partido, deputado Ezequiel Ferreira de Souza, está a do ex-senador e ex-governador Geraldo Melo, que já presidiu o PSDB no Estado. “É um dos nomes mais respeitados da política do nosso Estado, com experiência e capacidade para disputar qualquer cargo e ainda contribuir muito com o crescimento do RN”, destacou Rogério. Além de Geraldo, também serão abonadas as filiações da deputada estadual Larissa Rosado, do empresário Haroldo Azevedo e de várias lideranças do interior potiguar.
O PSDB chega ao cenário político de 2018 consolidado como o 3º maior partido do Rio Grande do Norte, com um deputado federal (Rogério Marinho), um suplente de senador (Valério Marinho), cindo deputados estaduais (Ezequiel Ferreira de Souza, Gustavo Carvalho, Márcia Maia, José Dias e Raimundo Fernandes), 107 vereadores, 30 prefeitos e vice-prefeitos, e conta com 150 diretórios e comissões provisórias em municípios do Estado.

Gilmar Mendes manda “enfiar pergunta na bunda”, destaca site

A Folha de S. Paulo perguntou a Gilmar Mendes se ele voltará para julgar o HC de Lula e quem pagou sua passagem aérea para Portugal.
Ele respondeu:
“Devolva essa pergunta a seu editor, manda ele enfiar isso na bunda. Isso é molecagem, esse tipo de pergunta é desrespeito, é desrespeito.”
O Antagonista

TST suspende liminar que obrigava recolhimento de contribuição sindical

Nos primeiros dias de março, mês em que a maioria dos sindicatos laborais recolhia a contribuição sindical, uma avalanche de decisões liminares obrigando o recolhimento das contribuições por parte de empresas foi conseguida por entidades laborais. Agora, os tribunais superiores começam a demonstram como deve analisar as decisões. Depois da decisão conseguida pela Riachuelo no TRT6 (Pernambuco) suspendendo o recolhimento, o Tribunal Superior do Trabalho começa a proferir suas primeiras decisões.
O Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho, ministro João Batista Brito Pereira, suspendeeu a liminar conseguida pelo Sindicato dos  Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo obrigando a empresa Aliança Navegação e Logística Ltda e Hamburg Sud Brasil Ltda a recolheram a contribuição sindical e repassar aos sindicatos trabalhistas. A decisão havia sido concedida em 1ª instância e referendando em 2ª instância.
“Note-se que o imediato cumprimento da determinação de recolhimento da contribuição sindical de todos os empregados em decisão antecipatória de tutela consubstancia lesão de difícil reparação, na medida em que impõe o dispêndio de quantia vultosa, sem que tenha sido fixada qualquer garantia caso, ao final do processo, após a cognição exauriente, venha a ser julgado improcedente o pedido”, afirma o ministro.

Desemprego cresce e atinge 12,6%; país tem 13,1 milhões de desempregados

A taxa de desocupação voltou a crescer no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, atingindo 12,6%, uma alta de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em novembro do ano passado. O país passa a ter 13,1 milhões de desempregados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), divulgada hoje (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o IBGE, em números absolutos, o resultado representa mais 550 mil pessoas em busca de emprego, entre um trimestre e outro. Na avaliação do coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, no entanto, o movimento de aumento na taxa de desemprego já era esperado e é comum nesta época do ano.
“Nesta época do ano, o crescimento da taxa é um movimento esperado. Sempre no primeiro trimestre do ano a taxa tende a subir, pois existe a dispensa dos trabalhadores temporários contratados para as festas de final de ano”, justificou.
População ocupada cai 0,9%
Ainda em consequência deste movimento de dispensa de trabalhadores temporários, a pesquisa mostrou que, entre o trimestre encerrado em novembro e o que terminou em fevereiro, o país perdeu cerca de 858 mil postos de trabalho, com redução de 407 mil empregos no setor privado sem carteira e de 358 mil no setor público.
O número de empregados com com carteira de trabalho assinada ficou estável neste trimestre encerrado em fevereiro, em 33,1 milhões de trabalhadores, porém “foi o pior resultado em números absolutos da série histórica iniciada em 2012”, segundo Azeredo. As categorias empregador e trabalhadores por conta própria também ficaram estáveis.
A queda no número de postos de trabalho foi verificada principalmente no grupamento serviços, que reúne as atividades de administração púbica, defesa, seguridade, educação, saúde e serviços sociais, que chegou a perder 435 mil postos de trabalho; na construção, foram menos 277 mil empregos; e na indústria, menos 244 mil.
Comparação com o ano anterior
A taxa de desemprego de 12,6% neste trimestre significa “uma melhora do mercado de trabalho, quando a comparação se dá com o mesmo trimestre do ano anterior, quando a taxa chegou a 13,2% e alcançava 13,5 milhões de pessoas desocupadas, o pior resultado para esse trimestre na série histórica”.
Agência Brasil

Dois são mortos durante confronto com a Polícia Militar em Mãe Luíza, e drogas são apreendidas nas zonas Norte e Sul de Natal

Esta quinta-feira(29) registrou pelo menos três ocorrências relevantes durante a manhã chuvosa na capital potiguar no combate a criminalidade.
No bairro de Mãe Luíza, na Zona Leste, um confronto de elementos com a Polícia Militar resultou na morte de dois suspeitos. Já as zonas Norte e Sul, foram realizadas apreensões de drogas.
Na Zona Sul, a ocorrência registrada na Vila de Ponta Negra resultou na prisão de um acusado de tráfico.
BG

Mais de 31 mil passageiros devem usar o Aeroporto da Grande Natal durante a Páscoa

Para evitar atrasos, Inframerica aconselha os passageiros a prestarem atenção nas orientações da companhia aérea sobre tamanho e peso das bagagens de mão.
A Inframerica calcula para o feriado de Páscoa um fluxo médio de 31,8 mil passageiros no Aeroporto de Natal entre os dias 29 de março e 2 de abril. A movimentação prevista para as datas deverá superar em 2,3% o mesmo período do ano passado.
São esperados 224 pousos e decolagens e 8 voos extras ao longo do recesso. O dia mais movimentado deverá ser na quinta-feira (29), com pico a partir das 13h e uma movimentação de aproximadamente 7,2 mil passageiros ao longo do dia. Quem deixar para retornar na segunda-feira (2), a estimativa é de cerca de 6,4 mil passageiros.
É importante reiterar também que todos os passageiros passarão por inspeção de raio-x ao embarcar e que alguns poderão ser selecionados para revistas aleatórias conforme previsto na legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por isso é recomendado chegar com 1h30 de antecedência para voos domésticos e 2h30 para voos internacionais.
É importante ressaltar que cada companhia aérea tem sua regra de bagagem, em respeito à resolução nº 400/2016 da ANAC. Fique atento ao volume, quantidade e peso da sua bagagem de mão. Evite filas e atrasos no seu embarque.

Barroso cita corrupção e organização criminosa em inquérito que envolve Temer



Na decisão em que determinou que a PF cumpra busca e apreensão na empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), apontou “possível cometimento de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa/organização criminosa a eles correlatos”.
A investigação está no âmbito do inquérito que investiga o presidente Michel Temer e apura se houve irregularidade em um decreto da área portuária que beneficiou a empresa Rodrimar, assinado em maio de 2017.
A PF realiza nesta quinta-feira (29) a Operação Skala, que prendeu, além do dono da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, três pessoas próximas de Temer: o advogado José Yunes, o coronel aposentado João Batista Lima Filho e o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi.
O mandado, ao qual a Folha teve acesso, foi assinado na terça-feira (27) e é o 15º entre os ordenados pelo ministro.
Os agentes cumpriram nesta manhã busca e apreensão nas empresas Grupo Rodrimar e Rodrimar S.A Agente e Comissária, SA Marítima Eurobras Agente e Comissária, Construtora Rodrigues Grecco Ltda, ACG Participações Eirelli, Rodrimar S.A – Terminais Portuários e Armazéns G, Rodrimar S/A Transp. Equip. Industriais e Arm. Geral, localizadas em um endereço no centro de Santos (SP).
A PF deve recolher documentos como livros contábeis, arquivos eletrônicos e valores em espécie acima de R$ 20 mil, além de “objetos relacionados aos fatos, que suscitem suspeita de constituírem produto de lavagem de dinheiro”.
Barroso autorizou os investigadores —​PF, Ministério Público Federal e Receita Federal— a acessar dados armazenados em arquivos eletrônicos apreendidos no local da busca.
Ele escreveu ainda que as diligências devem ser conduzidas “com discrição”, “evitando-se a desnecessária exposição dos investigados e das testemunhas”.
Folha de SP

ANP inicia leilão de blocos terrestres da 15ª rodada

Vinícius Lisboa 
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou há pouco a segunda etapa da 15ª Rodada de Licitação para exploração e produção de petróleo e gás em bacias sedimentares brasileiras localizadas em terra. Durante a tarde, serão oferecidos 21 blocos terrestres nas bacias do Paraná e do Parnaíba.
Os blocos marítimos foram leiloados na manhã de hoje e renderam um bônus de assinatura de R$ 8 bilhões ao Tesouro Nacional. Um total de 22 blocos foram arrematados entre 47 disponíveis.
O resultado foi comemorado pelo Ministério de Minas e Energia, pela Petrobras e pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocumbustíveis
Quatro empresas se inscreveram para esta etapa: a Cobra Brasil Serviços Comunicações e Energia S.A., a Parnaíba Gás Natural; a Petrobras e a Rosneft Brasil E&P Ltda.

Ex-presidente francês Sarkozy será julgado por corrupção e tráfico de influência

Da Agência EFE
O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy e o ex-líder líbio Muammar Kaddafi - Foto Maya Vidon-Agência EFEO ex-presidente da França Nicolas Sarkozy será julgado pelo Tribunal Correcional francês por corrupção e tráfico de influência no chamado “caso das escutas”, informou nesta quinta-feira (29) o jornal "Le Monde". A informação é da EFE.
Junto ao ex-presidente, segundo a publicação, também sentarão no banco dos réus, conforme solicitação da Promotoria Nacional Financeira feita em outubro do ano passado, o seu advogado, Thierry Herzog, e o ex-juiz Gilbert Azibert.
A investigação foi finalizada em 2016, mas diversos recursos atrasaram o andamento do processo, e a decisão dos juízes de instrução, da qual podem recorrer os acusados, foi assinada hoje.
“Caso das escutas”
Os magistrados decidiram grampear o telefone de Sarkozy diante das suspeitas de que ele teria recebido dinheiro do ex-ditador líbio Muammar Kadafi para financiar a campanha que o levou ao Palácio do Eliseu em 2007, um delito pelo qual foi acusado em 21 de março. Sarkozy nega e diz que são calúnias do grupo de Kadafi.
Nessas escutas foram descobertas conversas entre o ex-presidente e seu advogado, das quais se deduziu que Sarkozy tentava obter, através do juiz Azibert, informação secreta de outro processo que investigava se Liliane Bettencourt, herdeira do império de cosméticos L'Oréal, financiou ilegalmente sua campanha de 2012.
Algumas dessas conversas foram divulgadas na imprensa e davam a entender que Sarkozy estava disposto a ajudar o juiz a obter um cargo em Mônaco em troca de sua influência na decisão do Supremo Tribunal sobre o caso Bettencourt.
Em março de 2016, o Supremo validou de forma definitiva quase a totalidade das escutas do ex-presidente sobre as quais se baseia a acusação contra ele, o que deixou o caminho aberto para o julgamento anunciado hoje.
Além disso, Sarkozy tem um julgamento pendente pelo suposto financiamento irregular da sua campanha às eleições presidenciais de 2012.
Trata-se do chamado "Caso Bygmalion", um suposto esquema de falsificação de faturas para ocultar despesas eleitorais e burlar assim os limites legais. Segundo a acusação, com esse esquema Sarkozy teria gastado pelo menos 42,8 milhões de euros frente aos 22,5 milhões autorizados.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Trabalhadores em educação avaliam greve em assembleia no dia 02 de abril

Os trabalhadores em educação da Rede Estadual de ensino, em greve desde o dia 22 de março, vão se reunir em assembleia da categoria para discutir sobre o movimento. A assembleia de greve acontece dia 02 de abril, a partir das 8h, em frente à Secretaria Estadual de Educação, no Centro Administrativo de Natal.
GREVE OBJETIVA CORREÇÃO DO PISO E MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO
A principal reivindicação dos profissionais da educação estadual é o pagamento da correção de 6,81% do Piso Salarial 2018, que até o momento não aconteceu. Além da correção do Piso, os trabalhadores também reivindicam melhorias nas condições de trabalho, o pagamento de direitos que vêm sendo negados há anos e o fim dos atrasos de salários dos servidores aposentados.
Com informações do Sinte-RN

Agora é Lei: Diário Oficial publica promulgação do Bairro Seguro e natalenses já podem bloquear ruas

O Diário Oficial do Município publicou a promulgação da Lei 0531/2018, que institui o programa “Bairro Seguro” em Natal. Com isso, os moradores da cidade já podem procurar a Prefeitura para o bloqueio de suas vias com o objetivo de melhorar a segurança no local. O projeto é de iniciativa da vereadora Nina Souza (PEN).
Segundo publicado no Diário Oficial, a Prefeitura expedirá alvará com o objetivo de autorizar a instalação de equipamentos de sinalização e bloqueios em vias públicas na cidade, desde que sejam consideradas residenciais, ou seja, não sejam utilizadas pelo sistema viário principal ou pela rede de transporte público.
“A Câmara fez a sua parte no combate a esta verdadeira onda de violência que estamos vivendo. Ninguém está feliz com a atual situação de insegurança do nosso Estado, e nós temos que pensar no cidadão de bem, que está preso dentro de casa, com medo de sair na rua e ser assaltado. A população está acuada em casa enquanto os bandidos estão nas ruas. O natalense não pode mais ficar feito refém dentro de sua própria residência”, disse Nina Souza.
A Lei prevê ainda que as vias só poderão ser fechadas com a concordância de 85% dos moradores daquela localidade devidamente representados. Os interessados precisarão colocar a proposta em votação e escolherem um integrante para que atue junto a Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito Urbano (STTU).
Os cidadãos interessados em melhorar a segurança de suas vias precisarão apresentar projeto físico de edificação dos bloqueios, com a finalidade de impedir o tráfego de qualquer veículo ou limitar o tráfego de veículos pesados, especificando as dimensões e o tipo de material a ser utilizado, com a proibição de qualquer vedação ao livre acesso pelas vias principais por qualquer tipo de veículo ou pessoa.
Conforme o projeto, os custos dos equipamentos, da instalação e manutenção serão custeados pelos munícipes requerentes, cabendo a Prefeitura tão somente a fiscalização. Caso haja qualquer tipo de irregularidade na instalação, execução dos serviços e manutenção dos equipamentos, a Administração Pública Municipal notificará o representante escolhido pelo bairro ou o conselho comunitário, para que num prazo não superior a 60 dias tomem as providências necessárias.

Com novas marcas e acordo bilionário, Odebrecht ressurge pós-Lava Jato

Até alguns anos atrás, a Odebrecht era uma empresa praticamente desconhecida do grande público. Isso até março de 2014, quando foi deflagrada a primeira fase da operação Lava Jato, que iria mudar a história da empresa e do Brasil.
A empresa precisou vender unidades, assinou acordos bilionários, teve o herdeiro e então presidente preso e até derrubou o presidente do Peru.
Agora, a companhia está empenhada em mostrar que mudou, com novas políticas e até novos nomes para as empresas do grupo.
A operação da Polícia Federal, iniciada em 2014 e que continua até hoje, investiga um esquema de corrupção envolvendo grandes empresas e contratos com a Petrobras. De acordo com a investigação, a Odebrecht estava profundamente envolvida no escândalo – havia inclusive um departamento inteiro na empresa destinado ao pagamento de propina a políticos e funcionários da estatal.
Um ano depois do início das investigações, o então presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, foi preso e, em março de 2016, condenado a mais de 19 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Primeiras ações
Foi então que a companhia começou a mudar seu posicionamento. Em dezembro de 2016, assinou o acordo de leniência com os procuradores da Lava Jato. Na época, foi o acordo do tipo mais caro da história, ultrapassado mais tarde pelo firmado pela JBS.
Agora, em março de 2018, o acordo de leniência foi reconhecido pela Controladoria-Geral da União e a Advocacia Geral da União. No documento, a Odebrecht admite irregularidades cometidas em contratos feitos com a União e se compromete a devolver cerca de 3,8 bilhões de reais aos cofres públicos em 20 anos.
Os 77 executivos do grupo envolvidos no escândalo também assinaram, em 2016, acordos de delação premiada, como o herdeiro e ex-presidente Marcelo Odebrecht. Desses, 51 foram desligados, e os outros 26 continuam na companhia, mas sem exercer cargos executivos ou participar de decisões.
A empresa negociou acordos com o Ministério Público Federal e autoridades de diversos países, como Estados Unidos e Suíça. Ela publicou, ainda em dezembro de 2016, um pedido oficial de desculpas, em que “reconhece que participou de práticas impróprias em sua atividade empresarial”. “A Odebrecht aprendeu várias lições com os seus erros. E está evoluindo”, escreve ela.
Depois do pronunciamento, a corporação anunciou diversas mudanças em sua estrutura, seja ao vender ativos, criar políticas de conformidade, mudar sua política de recursos humanos e até mesmo mudar completamente o nome de algumas empresas do grupo.
O processo de recuperação da crise de imagem é longo e passa por diversas fases, diz Francine Altheman, professora de gerenciamento de crise do curso de jornalismo na ESPM. “A primeira fase foi quando a Odebrecht veio a público e pediu desculpas”, afirma a professora.
Conformidade
“Quando a empresa fechou o acordo de delação e leniência, começou um grande processo de revisão de sua estrutura empresarial e de seus sistemas de conformidade“, explica Marcos Lessa, diretor de marketing da holding Odebrecht S.A.
Uma das mudanças foi no âmbito do conselho de administração da companhia. Antes, a holding Odebrecht S.A. tinha papel mais ativo na operação diária das subsidiárias. Agora, “a atuação da holding passou a ser restrita ao conselho, em uma postura de arquiteta estratégica e sem intervenção direta”, afirma Lessa.
Outra mudança foi a adoção da obrigatoriedade de pelo menos 20% de conselheiros independentes, sem ligação com a companhia.
Desde fevereiro de 2017, a companhia é monitorada internamente por cerca de 20 membros do Ministério Público e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Eles investigarão, por três anos, os contratos, balanços, pagamentos a fornecedores, documentos e têm carta branca para entrar em qualquer lugar da companhia.
Além do monitoramento pelo governo, a Odebrecht aumentou sua equipe dedicada a conformidade. Em julho de 2017 eram 63 funcionários, enquanto em 2015 eram 30. O orçamento para essa equipe é de 64,8 milhões de reais, contra 11,3 milhões de reais em 2015, um aumento de mais de 80%.
Mudança de nome
Antes do escândalo, a Odebrecht não era uma empresa conhecida pelo grande público. As empresas da holding, de construção e óleo e gás, lidavam basicamente com outras empresas, sem contato com a população.
A primeira vez que muitos ouviram o nome da companhia foi no contexto das investigações. Isso trouxe um problema para a companhia, que ficou ligada apenas à corrupção.
Uma das estratégias usadas para mudar esse cenário é a mudança do nome das subsidiárias. Das sete empresas que ficaram no grupo, quatro já alteraram seu nome ou logo. Nos últimos meses, a Odebrecht Realizações Imobiliárias passou a se chamar OR e mudou o logo; a Braskem retirou o vermelho do seu logo, que hoje é azul e amarelo; a Odebrecht Agroindustrial virou Atvos; e a Odebrecht Óleo e Gás agora se chama Ocyan.
Essa é uma opção simples, diz o professor Sérgio Lazzarini, professor de estratégia empresarial do Insper. “Para o público, acaba sendo uma empresa nova. Quem lê bastante e se informa ainda sabe que é a mesma empresa, mas logo esquece”, afirmou.
De acordo com Francine Altheman, da ESPM, “a Odebrecht tinha uma história antes da crise, mas ela não foi contada”. Quando uma empresa é conhecida positivamente pelo público, ela tem menos impacto em sua imagem em uma crise, explica a professora.
A mudança dos nomes das marcas, acredita, é principalmente voltada ao grande público, para mudar a imagem que as pessoas têm da companhia. “Em relação às outras empresas, não dá para enganá-las mudando os nomes dos negócios. Mas, como elas já conheciam a Odebrecht antes dos escândalos, continuam fazendo negócios com ela”, afirma Altheman.
O diretor de marketing da Odebrecht S.A. reforça que cada companhia teve autonomia para fazer ou não a própria mudança e que não há discussões para mudar o nome da holding.
Algumas marcas ainda foram vendidas, para gerar caixa para a empresa. Nos últimos anos, a companhia vendeu divisões de negócios e participações em projetos, como a Odebrecht Ambiental, arrematada por 2,5 bilhões de reais; a Embraport, que foi comprada pela DP World; o Complexo Eólico Corredor do Senandes; e a sua participação na concessionária RIOgaleão, responsável pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, que pertencia à Odebrecht Transport.
A companhia também reestruturou as dívidas de algumas de suas subsidiárias, como a Odebrecht Óleo e Gás.
Política de pessoas
A mudança na política de pessoas é a mais recente. A primeira grande diferença entre a política nova e a antiga é o tamanho dos documentos.
Grande parte da política era – e ainda é – baseada em um livro escrito pelo engenheiro civil Norberto Odebrecht, fundador da empresa, dividido em três volumes de 200 páginas, em média, cada.
O livro, cujo título é “Sobreviver, Crescer e Perpetuar”, contém a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO). “Mas o livro não é lido com tanta frequência. Além disso, a política anterior era muito longa, com um nível de detalhe que não era convidativo à leitura”, afirmou Daniel Vilar, vice-presidente de pessoas e organização da Odebrecht S.A.
Para que as pessoas lessem os documentos com mais frequência, a nova versão é bem mais resumida. Ao invés de 23 pontos, agora são apenas oito, em 19 páginas.
A empresa também se esforça para passar o conteúdo dessas políticas de maneira mais simples, por meio de vídeos ou por treinamentos internos. O primeiro treinamento foi sobre conformidade, diz o diretor. Para garantir que a política será seguida, o diretor diz que há mecanismos e processos internos, mas não dá mais detalhes.
No entanto, Vilar garante que não foram as políticas anteriores que levaram a atos de corrupção dentro da empresa. “Os erros do passado não têm nada a ver com a falta de cultura. O que aconteceu é que a empresa fez escolhas erradas”.
Com as diversas mudanças que realizou em sua estrutura nos últimos anos, a empresa quer convencer de que não optará mais por este caminho.
Exame

Suíça impõe sanções à Venezuela e congela bens de altos dirigentes do país

Da Agência EFE
O governo da Suíça promulgou nesta quarta-feira (28) sanções contra a Venezuela e congelou os fundos de sete ministros e altos funcionários venezuelanos "por causa das violações aos direitos humanos e à deterioração do estado de direito e das instituições democráticas" no país. A informação é da EFE.
As sanções, que já começaram a valer a partir de hoje, seguem assim as sanções impostas contra a Venezuela pela União Europeia, informou o Executivo suíço em comunicado.  Concretamente, o Conselho Federal da Suíça congelou fundos de sete ministros e ocupantes de altos cargos da Venezuela, que ficam proibidos de entrar na Suíça, embora o comunicado não especifique quem são.

Também foram congelados os bens de empresas e instituições venezuelanas que o comunicado também não nomeia. Além disso, o Conselho Federal estabeleceu um embargo que proíbe a venda, a exportação e o trânsito de equipamentos militares e os bens "suscetíveis de ser usados com fins repressivos". Além disso, está proibida a venda de equipamentos e tecnologias que possam servir para vigilância ou para interceptar comunicações telefônicas ou de internet.
O texto especifica que o governo da Suíça está "gravemente preocupado com as violações repetidas das liberdades individuais dos venezuelanos, onde o princípio da separação de poderes é severamente afetado e onde o processo para as próximas eleições sofre um forte déficit de legitimidade".
O Executivo suíço apela à Venezuela a "restaurar a integridade do processo eleitoral e a promover um espaço democrático inclusivo e plenamente respeitoso de seu marco constitucional e legal e de suas obrigações internacionais".

Pesquisa revela que 58% dos brasileiros não se dedicam às próprias finanças

Seis em cada 10 brasileiros (58%) admitem que nunca, ou somente às vezes, dedicam tempo a atividades de controle da vida financeira, e 17% dos consumidores, sempre ou frequentemente, precisam usar cartão de crédito, cheque especial ou até mesmo pedir dinheiro emprestado para conseguir pagar as contas do mês. O percentual aumenta para 24% entre os mais jovens. Há, também, aqueles que precisam recorrer ao crédito para complementar a renda.
Os dados, obtidos em pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais, mostram que a organização financeira não é uma tarefa que atrai os consumidores.
Para o educador financeiro José Vignoli, do portal Meu Bolso Feliz, uma vida financeira saudável depende do esforço de cada consumidor em buscar informação e exercitar a disciplina para incorporá-la no seu cotidiano.
“Muitas pessoas poderiam, facilmente, ter acesso às informações necessárias para ter um orçamento mais equilibrado, mas não parecem conseguir. Elas pensam que dá trabalho, ou que é muito difícil manter o controle sobre as despesas, e se esquecem de que trabalhoso mesmo é encarar o endividamento e a restrição ao crédito. Lidar com o dinheiro exige disciplina e comprometimento para viver dentro da sua realidade financeira e não tomar decisões equivocadas”, afirmou Vignoli.
O mestrando Murilo Gouveia disse que espera mudar seus hábitos financeiros em breve. “Eu já fiz planilhas anos atrás, mas hoje não faço mais porque os gastos variam, e ganho muito mal, mas agora vou trocar de emprego e quero me organizar.”
Equilíbrio
Uma prova de que a vida financeira equilibrada traz mais satisfação e tranquilidade é que 56% dos consumidores ouvidos no levantamento disseram que se sentem melhor quando planejam as despesas para os próximos seis meses. O problema, novamente, é que nem sempre isso acontece na prática, porque 48% deles nunca ou somente às vezes fazem um planejamento cuidadoso dos passos a seguir para ficar dentro do orçamento nos meses seguintes. O problema surge com mais força entre os consumidores de baixa renda (classes C, D e E), com 51% de citações.
A executiva de vendas Marta Ferreira afirmou que já perdeu o controle das contas e que hoje tenta ser mais organizada. “Dedico meu tempo sempre para fazer minhas contas quando recebo, uso uma caderneta e faço minhas anotações. Antes, confesso que não fazia, mas depois que fui perdendo o controle do que pagava resolvi anotar meus gastos.”
Planejar-se para realizar um sonho de consumo também não é um hábito comum para a maioria dos consumidores. Os que estabelecem metas e as seguem à risca, quando querem adquirir um bem de mais alto valor, como uma casa, um automóvel ou realizar uma viagem, por exemplo, somam 48% da amostra.
Nesse caso, o comportamento é mais frequente entre as pessoas das classes A e B, com 59% de menções. Os que nunca ou somente às vezes fazem esse tipo de esforço somam outros 48% dos entrevistados. Há ainda 38% que nem sempre têm planos.
A contabilista Iana Leite, que se definiu como “bem controlada nas finanças”, só neste ano começou a juntar dinheiro para investir em um imóvel. “Este ano comecei a transferir todo mês um dinheiro fixo para uma poupança. Assim que tiver um valor, vou comprar um apartamento ou uma casa.”
Matemática
Os consumidores ouvidos no levantamento afirmaram que ter algum tipo de familiaridade com matemática e conhecimento sobre números torna mais fácil exercer controle sobre a vida financeira. Em cada 10 brasileiros, seis (61%) consideram que informações numéricas são úteis na vida financeira diária e 62% dizem que aprender a interpretar números é importante para tomar boas decisões financeiras. Porém, nem sempre essas pessoas procuram, de fato, informar-se a respeito desses temas.
A pesquisa detectou que 19% dos entrevistados não costumam prestar atenção em assuntos que envolvem números, percentual que aumenta para 24% entre os homens e 27% entre os mais jovens. Há ainda 39% que nunca ou somente às vezes calculam o quanto pagam de juros ao parcelar uma compra e 53% que fazem esse cálculo com frequência. Quando parcelam alguma compra, um terço (33%) dos entrevistados nem sempre sabem se já têm outras prestações para pagar.
“O conhecimento sobre juros é essencial para as finanças de quem parcela compras ou contrata algum financiamento. Os juros encarecem o valor total a ser pago pelo consumidor, principalmente em casos de atrasos, e se não são bem analisados e pesquisados em várias instituições, podem comprometer a organização do consumidor”, ressaltou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
A busca de informações com especialistas também não é hábito de boa parte dos brasileiros. Apenas três em cada 10 (31%) disseram que sempre, ou frequentemente, procuram dicas de especialistas sobre gestão financeira. Além disso, somente 17% costumam participar de cursos, palestras e seminários para aprender a administrar o próprio orçamento; e 49% nunca participam dessas atividades, ao passo que 25% dizem que, às vezes, procuram esse tipo de informação.
“Hoje com a facilidade de acesso à internet, esse número poderia ser muito maior. Há uma grande oferta de conteúdo de qualidade, e gratuito em portais, vídeos e até mesmo nas redes sociais, que tratam da relação com o dinheiro de forma leve, descomplicada e aplicada às situações comuns do dia a dia”, destacou Vignoli.
Mesmo com as novas tecnologias, a professora Aline Ferraz controla as contas no papel mesmo. “Eu dedico um tempo para me organizar e uso agenda. Sou meio antiquada, anoto o que eu gasto e confronto para saber o que sobra.”
Já a empregada doméstica Eliane Neres disse que faz um controle mental das despesas e depois anota tudo. “Quando recebo o salário, anoto tudo o que já foi pago no lápis, e também não gasto mais do que ganho.”
Consumo por impulso
Parte expressiva dos entrevistados revelou que compra por impulso e toma atitudes de consumo desregradas. Quando estão fazendo compras, um terço (33%) dos brasileiros nunca, ou apenas às vezes, avalia se realmente precisa do produto, para não se arrepender depois. Além disso, 45% nunca, ou somente às vezes, conseguem resistir às promoções e comprar apenas aquilo que está planejado.
A analista de qualidade Mayara Ruda Silveira disse que é bem controlada e raramente cede às tentações. “Adoro fazer planilhas. Geralmente eu planejo os gastos antes, sou bem controlada. Uma coisa ou outra acabo comprando por impulso.”
A pesquisa mostra também que os consumidores adotam posturas desaconselháveis do ponto de vista financeiro. Por exemplo, 19% dos entrevistados consideram mais importante gastar dinheiro hoje do que guardar para o futuro, embora 77% reconheçam que, às vezes, ou nunca, se comportam assim.
Sobre pensar no futuro, a pesquisa detectou que muitos não se sentem preparados para investir. Somente 38% disseram que confiam na própria capacidade de identificar bons investimentos e 22% que desconhecem os tipos de aplicações com melhor taxa de retorno. Apenas metade (51%) da amostra sabe sempre, ou com frequência, o quanto precisa guardar todos os meses.
“Certas modalidades podem render muito mais, mas também estão sujeitas a variações e perdas mais significativas. Adequar o tipo de investimento à personalidade e à situação financeira de quem vai investir é essencial. Perfis mais avessos ao risco pedem modalidades mais conservadoras, enquanto consumidores mais ousados podem optar por investimentos mais voláteis e com maior possibilidade de retorno”, explicou a economista Marcela Kawauti.
Agência Brasil

Procuradoria do Cidadão pede esclarecimentos sobre Rede de Atenção Psicossocial

Helena Martins 
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) enviou ofício ao Ministério da Saúde pedindo informações sobre a situação e o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) no país. A medida reitera pedido feito anteriormente pela procuradoria, que, desta vez, fixou prazo até terça-feira (3) para recebimento das informações. Caso as informações não sejam enviadas nesse prazo, a procuradoria poderá encaminhar aos órgãos competentes pedidos de responsabilização civil e penal, no âmbito do Ministério Público Federal (MPF).
A política de saúde mental foi foi alterada em dezembro do ano passado. O ministério anunciou, então, a criação e o financiamento de novas equipes de saúde mental multiprofissionais para atendimento ambulatorial, que vão atuar e dar suporte aos núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf), unidades básicas de Saúde (UBS) e equipes do Programa Saúde da Família. Entre as mudanças, gerou polêmica a inclusão de comunidades terapêuticas no rol de componentes da Raps, bem como a ampliação da oferta de leitos hospitalares para internação de pessoas com problemas de saúde mental.
Diante das alterações, a PFDC solicitou os seguintes dados ao Ministério da Saúde: plano orçamentário destinado à saúde mental em 2018, sua aplicação, distribuição e forma de implementação dos recursos financeiros por equipamentos de saúde; relação dos municípios que foram elegíveis por corte populacional (número de habitantes) para construção de centro de atenção psicossocial e que ainda não o têm; serviços de saúde mental requisitados para habilitação na Raps e ainda não concedida; previsão da maneira de executar as ações do Artigo 7º da Portaria Interministerial Nº 2, de 21 de dezembro de 2017, dos ministérios da Justiça e Segurança Pública, da Saúde, do Desenvolvimento Social e do Trabalho.
O artigo trata dos recursos necessários para as ações do Comitê Gestor Interministerial, espaço permanente para articulação e integração de programas e de ações voltados à prevenção, à formação, à pesquisa, ao cuidado e à reinserção social de pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substância psicoativa, como estratégia de transversalidade, que foi criado pela portaria.
A Lei 7.347, de 1985, que rege a ação civil pública, prevê, no Artigo 10º, o crime pela omissão de prestar informações ao Ministério Público. Já a Lei Complementar n° 75, de 1983, estabelece, no Artigo 8º, que “a falta injustificada e o retardamento indevido do cumprimento das requisições do Ministério Público implicarão a responsabilidade de quem lhe der causa”.
A reportagem procurou o Ministério da Saúde para saber se já foi notificado, mas não obteve respostas até a publicação desta reportagem.

Exportações de máquinas e equipamentos cresceram 39,8% fevereiro

Daniel Mello
As exportações do setor de máquinas e equipamentos tiveram alta de 39,8% em fevereiro em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Segundo o balanço divulgado hoje (28) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as vendas para o exterior totalizaram US$ 848,64 milhões no mês. No acumulado do primeiro bimestre, a comercialização de bens de capital para outros países chegou a US$ 1,67 bilhão, um crescimento de 58,7% na comparação com o mesmo período de 2017.
O faturamento total do setor cresceu 2,2% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado. As indústrias do ramo tiveram receita líquida de R$ 5,07 bilhões em fevereiro e de R$ 9,5 bilhões no primeiro bimestre, uma expansão de 1,1% sobre 2017.
Segundo a gerente de Economia e Estatística da Abimaq, Cristina Zanella, foram as exportações que impulsionaram o aumento do uso da capacidade instalada do setor, que ficou em 74% em fevereiro, 6,7% maior do que no período equivalente de 2017. “O mercado doméstico ainda está patinando um pouco. Ele cresceu em fevereiro em relação a janeiro, mas no bimestre ainda continua acumulando uma queda importante. Esse aumento do uso da capacidade instalada está relacionada a um aumento da produção que está sendo direcionada para o mercado externo”, destacou.
A América Latina é o maior destino das máquinas brasileiras, respondendo por 34,8% do total. Os Estados Unidos são responsáveis por 24,2% das compras no exterior e a Europa por 19,4%. Do total vendido para outros países, 35,1 % foram equipamentos para a construção civil. O ramo cresceu 83,3% no acumulado dos primeiros dois meses do ano em relação com 2017.
Apesar de ressaltar que o Brasil vive um processo constante de desindustrialização, o presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan, disse que as expectativas para 2018 são melhores do as do ano passado. “Nós já estamos sentindo uma retomada, mesmo porque chega um momento que chega à exaustão, as máquinas precisam ser repostas, renovadas. Haverá uma retomada este ano. Levando em conta os números que nós estamos pegando agora, deverá fica na faixa de 5% a 8%”, avaliou.

Historiadores se aproximam da real aparência de Jesus; para pesquisadores, ele tinha a pele e os olhos escuros e os cabelos curtos

Foram séculos e séculos de eurocentrismo – tanto na arte quanto na religião – para que se sedimentasse a imagem mais conhecida de Jesus Cristo: um homem branco, barbudo, de longos cabelos castanhos claros e olhos azuis. Apesar de ser um retrato já conhecido pela maior parte dos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo, trata-se de uma construção que pouco deve ter tido a ver com a realidade.
O Jesus histórico, apontam especialistas, muito provavelmente era moreno, baixinho e mantinha os cabelos aparados, como os outros judeus de sua época.
A dificuldade para se saber como era a aparência de Jesus vem da própria base do cristianismo: a Bíblia, conjunto de livros sagrados cujo Novo Testamento narra a vida de Jesus – e os primeiros desdobramentos de sua doutrina – não faz qualquer menção que indique como era sua aparência.
“Nos evangelhos ele não é descrito fisicamente. Nem se era alto ou baixo, bem-apessoado ou forte. A única coisa que se diz é sua idade aproximada, cerca de 30 anos”, comenta a historiadora neozelandesa Joan E. Taylor, autora do recém-lançado livro What Did Jesus Look Like? e professora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos do King’s College de Londres.
“Essa ausência de dados é muito significativa. Parece indicar que os primeiros seguidores de Jesus não se preocupavam com tal informação. Que para eles era mais importante registrar as ideias e os papos desse cara do que dizer como ele era fisicamente”, afirma o historiador André Leonardo Chevitarese, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro Jesus Histórico – Uma Brevíssima Introdução.
Em 2001, para um documentário produzido pela BBC, o especialista forense em reconstruções faciais britânico Richard Neave utilizou conhecimentos científicos para chegar a uma imagem que pode ser considerada próxima da realidade. A partir de três crânios do século 1, de antigos habitantes da mesma região onde Jesus teria vivido, ele e sua equipe recriaram, utilizando modelagem 3D, como seria um rosto típico que pode muito bem ter sido o de Jesus.
Esqueletos de judeus dessa época mostram que a altura média era de 1,60 m e que a grande maioria deles pesava pouco mais de 50 quilos. A cor da pele é uma estimativa.
Taylor chegou a conclusões semelhantes sobre a fisionomia de Jesus. “Os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos de hoje em dia. Assim, acredito que ele tinha cabelos de castanho-escuros a pretos, olhos castanhos, pele morena. Um homem típico do Oriente Médio”, afirma.

“Certamente ele era moreno, considerando a tez de pessoas daquela região e, principalmente, analisando a fisionomia de homens do deserto, gente que vive sob o sol intenso”, comenta o designer gráfico brasileiro Cícero Moraes, especialista em reconstituição facial forense com trabalhos realizados para universidades estrangeiras.
Ele já fez reconstituição facial de 11 santos católicos – e criou uma imagem científica de Jesus Cristo a pedido da reportagem.
“O melhor caminho para imaginar a face de Jesus seria olhar para algum beduíno daquelas terras desérticas, andarilho nômade daquelas terras castigadas pelo sol inclemente”, diz o teólogo Pedro Lima Vasconcellos, professor da Universidade Federal de Alagoas e autor do livro O Código da Vinci e o Cristianismo dos Primeiros Séculos.
Outra questão interessante é a cabeleira. Na Epístola aos Coríntios, Paulo escreve que “é uma desonra para o homem ter cabelo comprido”. O que indica que o próprio Jesus não tivesse tido madeixas longas, como costuma ser retratado.
“Para o mundo romano, a aparência aceitável para um homem eram barbas feitas e cabelos curtos. Um filósofo da antiguidade provavelmente tinha cabelo curto e, talvez, deixasse a barba por fazer”, afirma a historiadora Joan E. Taylor.
Chevitarese diz que as primeiras iconografias conhecidas de Jesus, que datam do século 3, traziam-no como um jovem imberbe e de cabelos curtos. “Era muito mais a representação de um jovem filósofo, um professor, do que um deus barbudo”, pontua ele.
“No centro da iconografia paleocristã, Cristo aparece sob diversas angulações: com o rosto barbado, como um filósofo ou mestre; ou imberbe, com o rosto apolíneo; com o pálio ou a túnica; com o semblante do deus Sol ou de humilde pastor”, contextualiza a pesquisadora Wilma Steagall De Tommaso, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Museu de Arte Sacra de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião.
Imagens
Joan acredita que as imagens que se consolidaram ao longo dos séculos sempre procuraram retratar o Cristo, ou seja, a figura divina, de filho de Deus – e não o Jesus humano. “E esse é um assunto que sempre me fascinou. Eu queria ver Jesus claramente”, diz.
A representação de Jesus barbudo e cabeludo surgiu na Idade Média, durante o auge do Império Bizantino. Como lembra o professor Chevitarese, eles começaram a retratar a figura de Cristo como um ser invencível, semelhante fisicamente aos reis e imperadores da época.
“Ao longo da história, as representações artísticas de Jesus e de sua face raras vezes se preocuparam em apresentar o ser humano concreto que habitou a Palestina no início da era cristã”, diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
“Nas Igrejas Católicas do Oriente, o ícone de Cristo deve seguir uma série de regras para que a imagem transmita essa outra percepção da realidade de Cristo. Por exemplo, a testa é alta, com rugas que normalmente se agrupam entre os olhos, sugerindo a sabedoria e a capacidade de ver além do mundo material, nas cenas com várias pessoas ele é sempre representado maior, indicando sua ascendência sobre o ser humano normal, e na cruz é representado vivo e na glória, indicando, desde aí, a sua ressurreição.”
Como a Igreja ocidental não criou tais normas, os artistas que representaram Cristo ao longo dos séculos criaram-no a seu modo. “Pode ser uma figura doce ou até fofa em muitas imagens barrocas ou um Cristo sofrido e martirizado como nas obras de Caravaggio ou Goya”, pontua Ribeiro Neto.
“O problema da representação fiel ao personagem histórico é uma questão do nosso tempo, quando a reflexão crítica mostrou as formas de dominação cultural associadas às representações artísticas”, prossegue o sociólogo.
“Nesse sentido, o problema não é termos um Cristo loiro de olhos azuis. É termos fiéis negros ou mulatos, com feições caboclas, imaginando que a divindade deve se apresentar com feições europeias porque essas representam aqueles que estão ‘por cima’ na escala social.”
Essa distância entre o Jesus “europeu” e os novos fiéis de países distantes foi reduzida na busca por uma representação bem mais aproximada, um “Jesus étnico”, segundo o historiador Chevitarese. “Retratos de Jesus em Macau, antiga colônia portuguesa na China, mostram-no de olhos puxados, com a forma de se vestir própria de um chinês.
Na Etiópia, há registros de um Jesus com feições negras.”

No Brasil, o Jesus “europeu” convive hoje com imagens de um Cristo mais próximo dos fiéis, como nas obras de Cláudio Pastro (1948-2016), considerado o artista sacro mais importante do país desde Aleijadinho. Responsável por painéis, vitrais e pinturas do interior do Santuário Nacional de Aparecida, Pastro sempre pintou Cristo com rostos populares brasileiros.
Para quem acredita nas mensagens de Jesus, entretanto, suas feições reais pouco importam. “Nunca me ocupei diretamente da aparência física de Jesus. Na verdade, a fisionomia física de Jesus não tem tanta importância quanto o ar que transfigurava de seu olhar e gestos, irradiando a misericórdia de Deus, face humana do Espírito que o habitava em plenitude. Fisionomia bem conhecida do coração dos que nele creem”, diz o teólogo Francisco Catão, autor do livro Catecismo e Catequese, entre outros.
G1